quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os incomodados que se mudem

Há alguns dias atrás fiz uma viagem de ônibus de Uberlândia a Goiânia. Devo dizer que foi uma das mais confortáveis e também uma das mais desagradáveis que já fiz. Por questão de princípios, não vou citar o nome da Empresa porque não tem nada a ver. Ainda mais que, adivinho, a maioria dos que lerem esse artigo vão me crucificar, como fizeram comigo lá, mas não estou nem aí.

A Empresa, diferente daquela que eu constumeiramente utilizo (tive de comprar a passagem encima da hora e, não tinha passagem, utilizei esta outra), dotou aquela linha de um ônibus moderno. Tão moderno que tinha um DVD player em perfeito estado de funcionamento.

Até aí, tudo bem, não tenho nada contra quem quiser ver um filme durante a viagem, enquanto aqueles que não o desejam podem, simplesmente, ouvir uma música num MP3 ou MP4, ou mesmo ler um livro, ou fazer palavras cruzadas, sei lá. Ocorre que o motorista resolveu colocar um DVD de uma banda(?) (DJAVU!?) com o som nas alturas!

Abro aqui um parêntesis: gosto musical é uma coisa muito pessoal. Quem lustrou um banco de uma boa Universidade sabe o que estou falando. Já quem entrou ou cursou algum curso em “qualquer” “Universidade” não vai conseguir captar a sutileza. Estes últimos acreditam que exista “sertanejo universitário”(!) como se as duas coisas fossem compatíveis!

Pois bem. A começar que o motorista parou por mais de meia hora no depósito da tal Empresa para pegar encomendas que deveria levar na viagem. Aproveitei o momento para pedir, gentilmente, que ele tirasse aquele som, uma vez que esse “negócio” me incomoda e eu penso, por ser um princípio básico do Direito, que meu direito de não ouvir aquele lixo se sobrepõe ao daqueles que querem ouvi-lo. Ainda mais em se tratando de um ambiente fechado. O motorista simplesmente disse que não iria tirar porque “todo mundo” dentro ônibus estava gostando. Tentei ainda argumentar que a coisa não era bem daquela maneira, mas ele deu-me as costas e eu tive de retornar para o ônibus.

Nas quase duas horas seguintes, o ônibus transformou-se, naturalmente, no equivalente a uma boate de quinta categoria, com aqueles energúmenos berrando a todos os pulmões aquelas “letras”. Sem falar na baixaria que é aquelas mulheres rebolando sem um pingo de sincronismo, nas telas do DVD, em movimentos que não tem a mínima condição de ser chamados de dança.

Pensei que, ao fim daquela agressão, eu poderia esperar que o motorista tivesse o bom senso de tirar qualquer som, uma vez que dava, com certeza, para ouvir da cabine dele a algazarra que aquele povo desclassificado fazia. Por fim, aquele lixo acabou e o motorista tirou o DVD, mas colocou um som ambiente durante o resto da viagem: Milionário e José Rico.

Bem. Nada contra Milionário e José Rico, que eu considero sertanejos autênticos, sertanejos de primeira hora, como eu já escrevi alhures, mas, ainda assim, não é toda hora que eu estou a fim de ouvir sertanejo autêntico. Ainda mais depois de ouvir todo aquele lixo antes.

Quando, finalmente, desci na Rodoviária de Goiânia, fui falar novamente com o motorista sobre aquilo que aconteceu no ônibus e ele voltou a dizer que só colocou porque “todo mundo” gosta. Não custa imaginar que esse sujeito se coloque no meio desse “todo mundo”. Como eu insistisse na reclamação, ele saiu com a seguinte pérola: “Então você pegou o ônibus errado!”

...

Infelizmente, eu devo discordar do Presidente Lula, quando disse que “o melhor do Brasil é o brasileiro.” Acho que o melhor do Brasil é o seu território. Fico com o piadista:

“Quando Deus criou a Terra ele a mostrou para seus anjos e arcanjos, explicando como seria povoada. Ao fim da explicação, um dos arcanjos disse:

- Mas, Senhor. Como pode? Vede bem: a Rússia vai ser o maior país do Mundo, mas a maioria das terras não poderão ser cultivadas devido ao frio; a China vai ter o segundo maior deserto do Mundo e toda cheia de montanhas; não dá para cultivar muita coisa; o Canadá é a mesma situação da Rússia; os Estados Unidos vão ter o Alaska da mesma forma, fora o deserto de Nevada e as Montanhas Rochosas. Já o Brasil... o Brasil vai ter a maior área de terras cultiváveis do Mundo, ouro pra dar com o pau, minérios, a maior reserva de água doce, fora o petróleo que vão achar no fundo do mar. Como vós explicais isso?

E calmamente, Deus respondeu:

- “Você precisa ver o povinho que eu vou botar ali...”

Esse é o “povinho” que habita essa terra maravilhosa. E não me venham dizer que é a minoria. Não é, não! Quem ouve esse tipo de porcaria não tem o mínimo senso de limite, de respeito! Prova disso é este fato que eu narrei.

Quem já não passou pela experiência de ter de estudar, ou ter alguma criança pequena em casa necessitando de dormir, ou algum idoso que precisa de repouso, e cujo vizinho coloca o som na maior altura com a desculpa que “eu estou na minha casa!” Acontece que o som do imbecil está entrando na sua casa! E se você vai reclamar, corre até o risco de ser insultado, agredido ou coisa pior! Ou não?

Infelizmente, esse é o retrato do Brasil. Para quem pode, a solução é mudar-se para o exterior, para um Estados Unidos, ou França, ou Suíça, ou Irlanda, ou algum outro lugar onde as coisas funcionem. Onde o seu direito mínimo de descansar num final de semana depois de uma semana “puxada” de trabalho vai ser respeitado. Onde o seu vizinho nem vai colocar o som mais alto porque sabe que O SEU DIREITO COMEÇA ONDE TERMINA O DELE. E vice-versa.

Assim é. Eu bem que gostaria de me mudar do Brasil. Sentiria saudades imensas da terra. E essa baboseira da maioria das pessoas que emigram e voltam depois dizendo que tem saudades do “calor” do povo brasileiro não me afeta nem um pouco. Tenho um amigo que morou algum tempo no exterior e diz que gostaria de voltar e morar lá definitivamente. E qualifica esse negócio de “calor” como bobagem. Ele prefere, como eu, um lugar onde as coisas funcionem. A começar pela Justiça, a começar pelo Direito.

Eu penso que me daria bem no exterior, sim. Afinal, uma coisa que eu valorizo muito é a discrição. E esse povo não sabe o que é isso. Berram, xingam, ofendem... e não se constrangem nem um pouco! E não me venham com essa coisa de que eu sou fascistóide ou coisa que o valha. Eu não tenho cara de eleitor típico de FHC ou Serra. Muito pelo contrário. Apóio o Governo do PT pelos avanços sociais que promoveu, justamente para esse povo mal-educado e sem princípios. Gostaria apenas que ele avançasse na escala intelectual, cultural e moral. Porque, segundo esse mesmo povo, “todo mundo” no Congresso Nacional é corrupto. Todavia, esse “todo mundo” corrupto saiu desse “todo mundo”, esse mesmo povo, que votou neles.

Obviamente, eu acredito que existam pessoas decentes. Desculpem-me se eu me coloco entre elas. Mas é justamente por eu ter noção de limite, de respeito, e sei que o meu direito termina onde começa o do meu colega, do meu vizinho, do meu semelhante, enfim, que eu me coloca nessa minoria. Talvez seja por isso que eu não tenho ambições políticas. Acho que os políticos do Brasil estão de bom tamanho para o povo do Brasil.

Enquanto isso, para “todo mundo”, aqueles que não estão satisfeitos, que procurem outro caminho. Eu, por exemplo, gostaria muito de morar na Irlanda. Como não tenho condições, vou tendo de aturar gente do mesmo tipo daquela de dentro daquele ônibus. Aturar o “povinho” que foi posto aqui. Seria interessante que, quem ler isso, passe adiante. Por razões óbvias, não acho que vá produzir qualquer efeito. Ainda que isso tudo seja gritante, o imbecil que coloca esse tipo de som na maior altura, seja em casa, seja no carro, ainda vai continuar acreditando que ele tem razão e vai continuar fazendo isso! Afinal, no Brasil, o direito da Força se sobrepõe à força do Direito. E se você não tem a quem recorrer, o que você pode fazer? Mudar de residência.

Só pra fechar, relatei esse fato à tal Empresa há mais de uma semana. Não deram resposta. Certamente, quem leu a reclamação faz parte de “todo mundo.”

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Atrasado

Vou tentar manter alguma publicação neste blog com alguma regularidade daqui por diante. Assim, publico hoje, mais a título de registro, um texto que escrevi ainda durante a campanha presidencial que elegeu a Presidenta Dilma, quando o PIG (Partido da Imprensa Golpista) despejava rios de denúncias contra o Governo Lula, como hoje, na esperança de elegerem aquela figura caricata chamada José Serra. Quando escondiam, como hoje, as mazelas e falcatruas do Governo FHC. Naqueles dias, não sei por que cargas d'água, eu não consegui acessar o blog e acabou que fiquei sem tempo e o texto ficou numa pasta do meu notebook. Mas, aí vai. O texto teria o nome de "Café puro". Informo que algumas ideias minhas mudaram neste período, mas a essência, não.

"A Primeira República, ou República Velha, ficou conhecida, a partir de 1891, como a República do Café-com-Leite. Ou foi a política do Café-com-Leite o nome da política adotada. Isto porque, a partir do Governo do paulista Campos Sales, São Paulo, maior produtor de café do país, e Minas Gerais, maior produtor de leite, revezaram-se no poder supremo do Brasil: sempre um presidente paulista e um vice mineiro numa gestão; um mineiro presidente e um paulista vice na outra, com duas excessões no período: Hermes da Fonseca (gaúcho) e Epitácio Pessoa (pernambucano). Até que, em 1930, o paulista Washington Luís forçou a eleição de outro paulista, Júlio Prestes, para seu sucessor e a elite mineira revoltou-se, unindo-se à elite gaúcha, derrubando Washington Luís e colocando Getúlio Vargas na presidência do “Governo Provisório”. Isto é História.

Chegamos ao ano 2010 e o Brasil passa por um período de estabilidade democrática jamais experimentado em sua história. O voto é facultativo, secreto e livre para qualquer cidadão a partir dos 16 anos de idade. O nosso presidente é um nordestino, de origem humilde, forjado nas lutas sindicais. Bem diferente daqueles tempos em que apenas os homens, com certa renda mínima e que soubessem ler e escrever, num primeiro momento, e depois os votos de cabresto em que qualquer um que soubesse ler e escrever podia votar, mas um voto aberto, sujeito à fiscalização e represália dos “coronéis”, os manda-chuvas das regiões.

Pois bem. Hoje, quando a disputa pela cadeira de Presidente da Repúbica começa a esquentar, podemos olhar para trás e analisar o que tem sido a escolha do partido tucano às últimas eleições para Presidente, desde a renúncia do alagoano Fernando Collor e do fim do mandato do mineiro Itamar Franco: paulistas, paulistas, paulistas...

O Plano Real elegeu o paulista Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, em 1994, que congelou os salários dos funcionários públicos por sete anos, exceto daqueles que tinham força política ou de pressão suficiente para forçar o Governo a repor suas perdas: Receita Federal e Polícia Federal, por exemplo.

Em 1998, o paulista FHC, do PSDB, foi reeleito e alcançamos a marca histórica de taxa de juros no Plano Real (entenda-se inflação baixa) de 42,5% (!!) ao ano, com taxas de inflação de menos de 13% ao ano (e salários congelados). Obviamente, a Grande Imprensa jamais teve interesse em divulgar isso, quando dizia que o auge da taxa de juros no Governo Lula, de 18,5% ao ano, era exorbitante.

Em 2002, finalmente, Luis Inácio Lula da Silva, pernambucano, do PT, foi eleito Presidente da República, derrotando o paulista Geraldo Alkmin, do PSDB.

Em 2006, Lula, do PT, se reelege derrotando o paulista José Serra, do PSDB.

Em 2010, desenha-se o embate entre a mineira Dilma Rousseff, do PT, e o paulista José Serra, do PSDB.

Dezesseis anos se passaram desde que o PSDB lançou a candidatura do primeiro paulista, FHC, à Presidência. E, desde então, sempre é um paulista após outro que é apresentado ao eleitor como “o nome ideal”. Obviamente (e o PT agradece), a arrogância dessa elite paulista não permitiu-lhe ver que o melhor nome em seus quadros para a disputa do comando do País é o de um mineiro: Aécio Neves. Talvez, o neto de Tancredo pudesse provocar uma disputa mais apertada pelo Planalto. Como está, para o bem do Brasil, a ministra Dilma deve vencer.

Desde 1994, depois de tantas décadas, a elite paulista tenta refazer o que Washington Luís tentou e não conseguiu: perpetuar-se no poder. Com a diferença que, desta vez, com um instrumento mais ético: o voto secreto. É a política do Café Puro: o que é bom para São Paulo, é bom para o Brasil. Ainda que o resto do Brasil se lasque!

Vai ser bom ver a ministra Dilma, mineira e mulher, ocupar a cadeira de Presidente e fazer História. Enquanto isso, os paulistas do PSDB (nada contra o povo de São Paulo, certo? Apenas contra essa elite obtusa desse pseudo partido social-democrata) podem degustar suas torradas de arrogância tomando seu... café puro."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Renato Teixeira e o fracasso da Inglaterra em sediar a Copa de 2018

Leio no site do Yahoo que o antigo chairman da Associação Inglesa de Futebol (FA), David Triesman, acusou membros do Comitê Executivo da FIFA de pedir favores em troca dos seus votos para a tentativa da Inglaterra de sediar a Copa do Mundo de 2018. Triesman falou em 10/05/2011 numa comissão do Parlamento Britânico que questiona as razões da Inglaterra ter falhado na sua tentativa de sediar o torneio em dezembro/2010, que elegeu a Rússia como sede. Entre aqueles está o presidente da CBF, Renato Teixeira. Segundo Triesman, Teixeira perguntou-lhe: 'O que você pode fazer por mim?'
Transcrevo o comentário que fiz a tal respeito naquele site.
"Obviamente, é prática comum no Brasil como um todo. Faz parte da nossa "cultura" a falta de ombridade. Todavia, este cidadão foi eleito pelos seus "pares", ou seja, presidentes de Federações. É de se imaginar que o naipe desses dirigentes do futebol brasileiro é o mesmo desse elemento. Assim, independente desse fato, que é uma vergonha para quem é brasileiro e honesto, uma vez que é esta a imagem que este tipo de gentinha passa de nós lá fora, é de se esperar que numa próxima eleição esse senhor vá ser eleito novamente, não tenho dúvidas. Ainda, acho que ele é o espelho de grande parte do povo brasileiro, pois, como eu disse, faz parte da nossa "cultura", da qual, graças a Deus, não faço parte. Eu sou da minoria que se constrange com este tipo de atitude, seja de quem for. Não concebo um cidadão dizer para outro, na maior cara-de-pau: "O que você pode fazer por mim?", que pode ser relido como: "Eu sou venal. Compre-me!". Pelo menos, acho que isto enterra de vez a possível candidatura dessa figura para presidente da FIFA, cuja pretensão já li alhures"

sábado, 23 de abril de 2011

O mito da “torcida nacional”

Está acontecendo um debate interessante no site da radio 730, blog do jornalista Gerliézer Paulo (http://www.portal730.com.br/blogs/esporte/gerliezer-paulo/19279-eu-sou-bairrista.html) a respeito de bairrismo. O jornalista defende sua torcida pelos times de Goiás sempre que um deles jogue contra times de fora do Estado de Goiás. Todavia os comentários postados por mim e vários outros leitores extrapolou a simples idéia de torcer por qualquer time do Estado para focalizar na necessidade de se torcer por um só time de Goiás.

Interessante é que, neste ponto, independente do amor individual por seu time, vários torcedores comungaram a mesma opinião: um estado só terá um futebol forte se seus torcedores torcerem apenas para times da terra. Muito bom ver torcedores de Vila Nova, Goiás e Atlético defenderem a mesma bandeira.

Obviamente, existem aqueles que defendem a idéia que se pode torcer para dois times, um de casa e outro “de fora”. Já escrevi aqui outros textos sobre torcedores híbridos, mas o debate levantou novos argumentos. Tomo a liberdade de escrever trechos meus e de outros torcedores a tal respeito que refutam os “argumentos” daqueles que defendem o conceito de “torcida nacional”.

Um “torcedor” santista postou que não torce para times de Goiás porque não tem história. Transcrevo o que escrevi: “Existe uma coisa que se chama SISTEMA. Certamente, uma coisa da qual você nunca ouviu falar. O SISTEMA é uma estrutura que se mantem por conta de determinadas premissas que podem ser aceitas ou não. Aqueles que se beneficiam do SISTEMA querem que as coisas permaneçam como estão. Promover um Flamengo, um Palmeiras, um Corinthians rende uma fortuna para quem domina o SISTEMA. Para isso, o SISTEMA precisa de quem replique e não de quem questione. E apresenta aos replicantes uma série de ‘argumentos’ para defenderem as suas ideias. Com um agravante: essas ideias são plantadas nas cabeças dos replicantes para que eles pensem que são ideias deles próprios (no caso, os replicantes)!!! Assim, milhões e milhões de reais entram nas contas dos times com "torcidas nacionais", enquanto que os times dos Estados vivem à míngua. O dinheiro do royalty da camiseta, do calção, da chuteira, da caneca de chopp, do chaveiro, do relógio com o escudo, etc., vai para o time de fora.

E vem você e diz que não tem nada a ver uma coisa com a outra! Uau!! Você deve ser um questionador, né? O replicante sou eu, decerto. Afinal, eu sou torcedor do Vila e só. O fato de cada imbecil que diz torcer para o Vila e para outro time "nacional" não quer dizer nada, né? Eu tenho três camisas oficiais do Vila, compradas nas lojas. Os royalties dessas camisetas foram para o Vila. Imagino se cada vilanovense só comprasse os produtos do Vila. Quanto dinheiro não entraria para reforçar os cofres do Tigre! Isso serve para torcedores de Goiás e Atlético tambem. É... certamente eu sou o replicante e você é o questionador! Em resumo, o SISTEMA precisa de gado.

O mesmo torcedor disse que os grandes craques surgiram em grandes clubes e que já tinha ido mais vezes à Vila Belmiro que ao Serra Dourada. Escrevi o seguinte: “Parabens! Você ganhou seu dinheirinho suado aqui em Goiás e foi despejar nos cofres do Santos. Ainda por cima foi gastar com estadia (talvez) e alimentação (certamente) em São Paulo. Legal! Foi ajudar o Governo paulista e, por tabela, melhorar as condições de vida dos paulistas. A(s) camiseta(s) do Santos que você comprou vai (ou vão) render royalties para o time peixeiro. Que, por tabela, vão para os cofres do Governo paulista para melhorar as condições de vida dos paulistas. Isso é que eu chamo de cidadão consciente!
Num tempo em que futebol profissional ou semi-profissiona l só existia no eixo Rio-São Paulo, tudo bem! Havia justificativa para se torcer por time de fora. Onde, então, iriam surgir grandes craques. No Acre?
Hoje, muitos jogadores que estouram nos grandes clubes vem de pequenas cidades do interior. A começar pelo maior de todos, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nascido em Três Corações, MG. Talvez tenhamos vários Neymars ou Zicos pelo nosso interior de Goiás e que jamais vão jogar bola profissionalmen te, já que os clubes em que poderiam despontar (entenda-se times goianos) vivem de pires na mão.

Você ganha 200 mil reais por mês, moço? Era só o contrato que o Bruno, ex-goleiro do Flamengo, tinha (acho que ainda tem) com uma empresa de material esportivo, antes de ser preso. Graças a pessoas como você é que o status quo se mantem. Não vou nem prosseguir meu comentário. Os Ricardo Teixeira da vida precisam é de gente como você para faturar os milhões que faturam.

Luiz Carlos escreveu: “Acho que todos têm direito de torcer pra qualquer time, independente do Estado. Agora, dizer que torce pra um time por causa de títulos, me desculpe, mas é no mínimo ridículo. O que fizeram Cruzeiro e Atlético-MG; Grêmio e Inter; Bahia e Vitória; Atlético-PR e Coritiba se fortalecerem foi a conquista do público local e o povo comprando a ideia de que tais times podem ir pra frente. Os times de SP e RJ enriqueceram por haver emissoras vendendo imagem deles 365 dias por ano pro Brasil inteiro. Duvido que, se os grandes do Rio-SP tivessem que galgar espaço desde as séries inferiores, a história destes se repetiria. É complicado mudar da noite pro dia a cabeça de quem foi manipulado pela mídia por mais de 30 anos. Eu ainda hei de ver o Goiás retornando a série A, o Atlético se mantendo e o Vila subindo. Crescimento destes times chama a atenção, é mais exibição na mídia, mais empresas tendo interesse em nosso Estado. Pq vcs acham que o Acre não consegue tanto enfoque?” Certíssimo!

Comentário meu para outro torcedor híbrido: “É óbvio que os milhões de reais que um Galvão Bueno, um Ricardo Teixeira e outros dependem de pessoas que defendem torcer para clubes de fora. Certamente, você é um dos poucos que faturam milhões por ano vendendo a ideia que torcer para time de fora não faz diferença, né? Você não é um dos que compram a ideia de "torcida nacional", né? Você só fatura alto encima dos manés que acreditam nessa lorota, né? Lembro que o Bruno, ex-goleiro do Flamengo, antes de ser preso, tinha um contrato com uma dessas empresas de material esportivo de 200 mil reais mensais. Obviamente, a empresa estava ali só pra fazer graça, né? Ela não tinha retorno nenhum vendendo camisas com o nome dele nas costas, né? E os nossos times mal tem dinheiro para se manter, né? Certamente, você tambem deve ganhar uns 200 mil reais por mês, né? Afinal, os Galvão Bueno da vida precisam de manés para faturarem alto nas costas desses imbecis, né?

Este último comentário decorre do quadrangular final do Brasileiro Série B de 1999, quando o Vila, que tinha um grande time, foi “operado” em pelo menos três jogos contra Bahia em Salvador, Santa Cruz em Recife, e Goiás no Serra Dourada (neste eu estava presente. Sua Senhoria, o árbitro, amarrou o Vila Nova todo o jogo). Simplesmente porque o Sr. Galvão Bueno, conforme me foi dito por quem viu o jogo pela TV, dizia o tempo todo: “o Goiás não pode ficar fora da Série A.” Essa foi a senha para Sua Senhoria “operar” o Vila. Eu pergunto: por que o Goiás não pode ficar fora da Série A? Qualquer um que não tenha competência para subir para a Série A deve ficar na Série B! Ou deveria. Todavia, forças ocultas sempre influenciaram para o que valesse em campo não valesse para o resultado final. O Vila Nova era o melhor time daquele quadrangular. Ficou em quarto lugar!!!

Bruno Lima escreveu com muita propriedade, em resposta ao santista que diz torcer pelo Santos ‘por ser um time vencedor’: “Apesar de muito bem colocada a realidade dos clubes goianos, e muito bem escrito, o que respeito muito, torcer para um time só porque ele é vencedor está muito longe daquilo que faz alguém torcer para uma equipe. Sinto muito, mas você deve ser daqueles torcedores de TV, que se seu time estiver mal, você só vai saber da notícia na segunda ou terça-feira, e se alguém for "zoar" com você, vai dizer que nem liga pra futebol. O Sr. não serve de exemplo como torcedor. Se fosse assim, em Minas o Atlético-MG teria perdido grande parte de sua torcida, pois depois de 1971 só venceu estaduais, e mesmo assim sua torcida cresceu, justamente pelo bairrismo. MG e RS tem grandes equipes, justamente pelo bairrismo. A força do povo é que obriga, a muito contra gosto, as principais emissoras deste país a dar espaço a estes clubes. Tal bairrismo chegou ao ponto de a RBS (repetidora da Globo) ser mais poderosa que a própria Rede Globo em seu Estado. Lá, os jogos de Inter e Grêmio tem prioridade, e é por isso que os patrocinadores pagam grandes valores a Inter e Grêmio, porque o telespectador gaúcho não quer ver Flamengo e Corinthians. Concluindo, uma grande cidade, um grande estado e um grande time, só se fazem com muito amor pela terra em que nascemos e em que vivemos e isso é bairrismo.

Este debate vai longe e fico satisfeito por ver que existem muitos torcedores conscientes em Goiás.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Exclusão, assimetrias e as crises do cinema brasileiro contemporâneo

Para uma análise mais precisa sobre o tema é necessária uma distinção adequada entre cinema e filme. Embora ambos possam ser tratados como fatos, o filme é um produto audiovisual, um objeto de estudo menos incontrolável. Já o Cinema é um fato social total, com infinitas nuances em seus aspectos tecnológico, econômico e sociológico, como distinguidos por Christian Metz (1980) e Massimo Canevacci (1990), com base no conceito de Marcel Mauss (2003).

Em sua cadeia produtiva, o mercado cinematográfico abrange três segmentos interdependentes: a produção, a distribuição e a exibição. Para que haja exibição fazem-se necessárias a produção e a distribuição; para que haja a distribuição, são necessárias a produção e a exibição; para que haja a produção, são necessárias, em tese, a produção.

Em termos econômicos, os exibidores, bem como os distribuidores, que, basicamente, são quem definem os filmes que vão entrar em cartaz, visam o lucro. Assim, aqueles filmes que vêm acompanhados de maior divulgação na mídia, os blockbusters, têm preferência numa eventual fila para exibição.

Ocorre que existe um distanciamento do produto audiovisual nacional e o público brasileiro. A quantidade de salas disponíveis para a exibição de filmes nacionais é imensamente pequena em relação ao número de obras que são produzidas. A massificação do produto hegemônico norte-americano, bem como as distribuidoras serem braços da grandes companhias norte-americanas, as Majors, tornam a introdução do filme nacional no circuito comercial muito difícil, ainda que, em tese, existam leis de proteção para o produto nacional no mercado, estas são cumpridas em condições mínimas pelos exibidores.

Este é o primeiro ponto que gera uma assimetria: economicamente, para as distribuidoras e exibidores, a exibição e distribuição do filme nacional não compensam, em detrimento de algum outro produto norte-americano, que vem apoiado com forte publicidade na mídia, o blockbuster. Assim, o cinema brasileiro gera uma grande quantidade de filmes, mas a distribuição, em primeiro lugar, e a exibição, em segundo, representam os dois gargalos pelos quais o produto nacional não passa para atingir o público.

Em termos tecnológicos, a indústria norte-americano sempre apresenta novidades que os demais países ainda vão levar algum tempo para alcançar, quando, então, alguma nova tecnologia já terá sido criada e os países periféricos levarão outro tempo para adquirir. Nos dias de hoje, podem-se citar as salas de exibição em 3D e as digitais em 4K.

Enquanto os chamados “filmes de ação”, por exemplo, usam e abusam de efeitos especiais que custam milhões de dólares para serem produzidos, o filme nacional raramente trabalha com esse tipo de produto. Ocorre que são justamente esses tipos de filmes que atraem multidões às salas de cinema, ao contrário do produto nacional, que explora os bons textos, boas fotografias e boas atuações. Prova disso, é o reconhecimento dos grandes diretores brasileiros fora do país por críticos e produtores audiovisuais de outros países. Por outro lado, as salas digitais no Brasil ainda funcionam em 1.3K, muito abaixo daquelas dos EUA.

Em termos sociológicos, a produção de cinema no Brasil foca em temas ligados à dita “realidade brasileira”: a violência das ruas, a prostituição, a delinqüência juvenil, bem como a miséria e a seca, especialmente no Nordeste. Temas que, obviamente, não agradam a maioria dos espectadores de cinema.

Por outro lado, o cinema nacional teria a possibilidade de divulgação entre as comunidades mais pobres, pequenas cidades sem salas de exibição. Esta tentativa foi feita em vários lugares, como em Natal, onde o MST exibiu filmes projetados nas velas das jangadas e até mesmo nos corpos das próprias pessoas. A cidade pensada como espaço social, com pequenas ruas fechadas nas grandes cidades e praças, onde o filme poderia ser exibido em público. As avenidas movimentadas, as praças sem bancos não são espaços sociais. Daí, a idéia da exibição em espaços de fácil acesso ao público, seja das grandes cidades, seja das pequenas. Aí está outra assimetria, as temáticas localizadas, inseridas em uma realidade localizada, filmadas como se fossem temas gerais, sem o apelo que, supostamente, teriam junto àquelas comunidades que julgam retratar. Ainda assim, são obras de valor.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A canção no cinema brasileiro dos anos 80

Para se entender as influências que marcaram o cinema brasileiro dos anos 80, é preciso saber em que contexto elas surgiram. O Brasil entrava na fase da redemocratização depois de quase vinte anos de Ditadura Militar. Apesar de frágil, a recém reconquistada Democracia poderia suportar uma releitura daqueles anos de chumbo. Assim, numa poderosa vertente da música brasileira, a MPB, compositores engajados com a luta contra o antigo regime, despontaram nas composições de trilhas de filmes que faziam uma releitura dos anos 60-70.

O documentário Jango, de Sílvio Tendler, por exemplo, traz uma jóia da MPB, Coração de Estudante, de Wagner Tiso e Milton Nascimento. Seguindo o sucesso de Bye, Bye Brasil, de Cacá Diegues, do final da década anterior (1979), Chico Buarque assinou a trilha sonora de Ópera do Malandro, de Ruy Guerra (1985), adaptação da Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Ainda, Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1981), que Chico assinou em parceria com Tom Jobim. Este ainda fez a trilha sonora de Gabriela, longa de Bruno Barreto (1982), com a notável “Modinha para Gabriela”, na voz de Gal Costa. Tom e Vinicius de Morais fizeram o clássico da MPB, “Eu sei que vou te amar”, que foi tema e título do filme de Arnaldo Jabor de 1984. Caetano Veloso também teve uma boa participação em obras como Tabu, de Júlio Bressani, Índia, a Filha do Sol, de Fábio Barreto e Dedé Mamata, de Rodolfo Brandão. Mesmo Glauber Rocha com A Idade da Terra (1980), teve em sua trilha a música O Amanhã, de João Sérgio, imortalizada na voz de Simone, bem como a sonoridade dos sambas-enredo e do candomblé, recorrentes na obra do diretor. O filme de Glauber ainda se encaixa perfeitamente na categoria de cinema experimental, com sua mistura de gêneros: documentário, representação alegórica, lembrando os procedimentos do “udigrúdi”; forma sincrética de pensar o Brasil como país periférico na decadência do imperialismo.

Talvez, a vertente mais forte no cinema brasileiro tenha sido a do rock. A influência da música norte-americana no mercado fonográfico brasileiro, em especial devido às telenovelas, tornou o gênero uma espécie de hino da juventude. São vários os filmes que tiveram em suas trilhas canções derivadas dessa corrente, que se tornaram grandes êxitos nas rádios e programas de televisão:

i) Menino do Rio (1981), de Antônio Calmon, e a canção “De repente, Califórnia”, composição de Lulu Santos e Nelson Mota;

ii) Garota dourada (1984), do mesmo Antônio Calmon traz uma série de sucessos das paradas musicais: “Como uma onda”, de Lulu Santos, “Romance e aventura”, composição de Nelson Motta e Lulu Santos, “Baby, meu bem” e “Menina Veneno”, do roqueiro Ritchie;

iii) Bete balanço (1984), de de Lael Rodrigues, teve a canção-título composta por Cazuza e interpretada pelo Barão Vermelho;

iv) Rock estrela (1985), também de Lael Rodrigues, com Leo Jaime, autor da canção-título, e Areias escaldantes (1985), de Francisco de Paula, que traz seleção musical de Lobão, com canões de Ultraje a Rigor, Ira, Titãs, Capital Inicial e Metrô, entre outros;

v) Dias melhores virão (1985), de Cacá Diegues, com trilha musical e canção-título de Rita Lee e Roberto de Carvalho;

vi) Além da paixão (1985), de Bruno Barreto, traz o hit “Fullgás”, de Marina Lima e Antônio Cícero;

vii) Um trem para as estrelas (1987), dirigido por Cacá Diegues, mostra a desilusão da juventude urbana. A canção-título de Cazuza foi realizada em parceria com Gilberto Gil.

No campo experimental, cabe citação a Arrigo Barnabé. Em filmes como Cidade oculta (1986), de Chico Botelho, Estrela nua (1985), de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, Vera (1987), de Sérgio Toledo, Lua cheia (1989), de Alain Fresnot, e A estória de Clara Crocodilo (1981), de Cristina Santeiro, ele mistura números musicais com narrativa policial, inspirada no imaginário das histórias em quadrinhos a partir de elementos transtextuais provenientes dos gêneros do cinema noir e do musical hollywoodiano.

Por outro lado, o gênero sertanejo tem início com Estrada da Vida (1980), de Nélson Pereira dos Santos, com a história da dupla Milionário e José Rico, ícones da nova tendência que este gênero assumiria. Apesar disso, ainda hoje o gênero sertanejo embala as trilhas sonoras de filmes específicos do gênero, bem como passagens de filmes de outros gêneros quando se quer salientar uma conotação ligada ao popular, devido à popularidade da música dita sertaneja em quase todas as camadas da população.

Portanto, podemos concluir que a grande tendência da canção no cinema brasileiro dos anos 80 é a disseminação dos instrumentos eletrônicos, com os sintetizadores, pela música brega e sertaneja e por uma revitalização do rock.

Assim, fica claro que a tendência da trilha musical em filmes brasileiros na década de 80, desde sempre, é aquela voltada para o grande público. Enquanto os filmes de arte e experimentais tendem a ter trilhas sonoras mais intelectualizadas, os filmes voltados para o mercado apostam nas tendências de momento. A juventude dos anos 80 foi chamada a Geração Saúde, com moças e rapazes com suas atenções voltadas para práticas desportivas, o que explica sucessos como Bete Balanço e Garota Dourada.

Com o advento do INTERNET e da explosão da “música sertaneja”, a juventude tornou-se mais sedentária e a Geração Saúde deu lugar à Geração INTERNET. Este veículo permitiu uma maior democratização do que se vê e se ouve, mas as grandes mídias ainda tem certo controle sobre o que se mostra, e a massificação do que é conveniente à ordem sistêmica ainda torna a informação, de certa forma, manipulada. Desta maneira, a juventude acredita piamente que tem uma opinião própria, quando na realidade é mera repetidora daquilo que a ordem estabelecida tem interesse em manter, o status quo. E a superficialidade da afirmação: “Eu gosto e gosto não se discute” permanece como um bordão que aqueles que não pensam, usam para defender a sua falta de opinião própria. Obviamente, quanto mais se sobe na escala intelectual, menos os temas vulgares e superficiais satisfazem. Assim, sobre uma sociedade mal preparada intelectualmente, é fácil àqueles que detém a informação imporem suas opiniões. E a sociedade segue como gado, tangida pela mão daqueles que ela mais deveria temer e evitar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lixo reacionário

Atarefado demais para alimentar esta página. Todavia, em época de eleições a gente acaba tendo de tomar uma atitude.
É uma grandeza a quantidade de lixo que cai em minha caixa postal. O PIG (Partido da Imprensa Golpista, como a batizaram) faz o possível para distorcer os fatos a fim de eleger as velhas oligarquias que sempre dominaram este país. A tática é escancarar todas as mazelas do Governo do PT e esconder aquelas do Governo do PSDB. Evito escrever Governo Lula e Governo Fernando Henrique Cardoso pelo simples fato de que o que está em jogo não são nomes, mas propostas de Governo. Naturalmente, o brasileiro tem memória curta. Obviamente, as denúncias de mensalões e outras mazelas do Governo petista foram devidamente cobertas pelo PIG. Este mesmo PIG fez questão de esconder todas as mazelas do Governo tucano. Senão vejamos: reeleição do FHC, quando alguns deputados que não conseguiram se safar foram cassados, fora aqueles contra quem não se conseguiu provar a propina de 200 mil reais (!). Obviamente, FHC não sabia de nada. 27 bilhões de dólares enfiados para salvar banqueiros corruptos que foram curtir o dinheiro que desviaram dos correntistas em algum paraíso fiscal. Sem falar em outros que nem compensa dizer, como a entrega, disfarçada de "venda", de estatais que lançaram centenas de pais e mães de família no olho da rua, com a desculpa que elas precisavam ser "enxugadas". Ninguém se lembra que a dívida interna cresceu de 50 bilhões de dólares para 600 bilhões de dólares (!) em oito anos de Governo FHC!!!!! Um aumento de 1200%!
O Governo tucano nunca teve compromisso social. Na reeleição de FHC, ele prometeu, entre outras coisas, gerar empregos (alguem aí se lembra dos cinco dedos?). Deixou o Governo para o Lula com a maior taxa de desemprego da História do Brasil (não me lembro e nem quero falar em taxas, porque não me lembro). Diferentemente do Governo petista; hoje o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego da História.
Salta aos olhos o preconceito que acompanha uma porção de material que é publicado em todo lugar. Aparentemente, a oligarquia que foi varrida do poder não se conforma com pobre ter emprego, ter comida, ter saúde, ter educação. Obviamente, um povo sem instrução e faminto é muito mais maleável e dominável. O que me espanta é a quantidade de imbecis de classe média ou média baixa, que acredita que votando no PSDB, vai "melhorar" o Brasil. Talvez, tenham saudades da época em que o Brasil vivia de pires na mão, lambendo as botas do FMI ou Banco Mundial. Ou quando tínhamos taxas de juros SELIC de 42% (!), contra os atuais 12,5% ao ano. Outra informação que o PIG esconde do povo. Ou durante os cinco ou seis anos pós implantação do Plano REAL, quando FHC decretou (!) que não havia inflação no país e congelou os salários de todos os trabalhadores (o PSDB sabe o que são?). O paraíso dos patrões, quando a inflação anual variou de 10% a 12% ao ano. Alguém poderia fazer as contas de quanto foi a perda REAL dos salários neste período. Tem gente que quer a volta desse pessoal. Uau! É apanhar e ainda beijar o chicote!

terça-feira, 2 de março de 2010

Elucubrações II

A Revista VEJA, de 4 de novembro de 2009, traz um artigo de Juliana Linhares que, eu acho, deveria ser lido por todo mundo que ganha um tempo precioso lendo, e divulgado por estes entre aqueles que perdem um tempo precioso em mesa de boteco ou coisa que o valha, e que passam a quilômetros de distância de uma biblioteca, de uma livraria, de um bom livro ou de uma revista informativa.
Pois bem, em Pequeno Manual de Civilidade, a articulista expõe regras fundamentais para o bom convívio entre as pessoas. Especialmente a décima, A Casa Comum, onde ela bem define a palavra decoro. Transcrevo o texto porque vale muito a pena ler e PRATICAR:
“O comportamento decoroso surgiu na Igreja Católica, a partir da vestimenta dos padres e das freiras, sempre igual em qualquer ambiente e feita para cobrir tudo de forma a não atentar contra o pudor próprio ou alheio. ‘Com o tempo, o DECORO das vestimentas passou para a linguagem e as atitudes. A fala decorosa é aquela que diz o que tem de dizer sem adular nem ferir. O comportamento decoroso é aquele que não ofende os outros, que não agride, que não é exibicionista ou apelativo’, explica Roberto Romano. Pequenos atentados cotidianos ao decoro incluem urrar ao celular em ambientes confinados, ignorar solenemente aquilo que seu cãozinho faz na calçada e ouvir música nas alturas porque ‘a casa é minha’. (grifos meus) Ter decoro é entender que a casa é um pouco de todos.
Lady Kate, personagem da atriz KATIUSCIA CANORO no programa Zorra Total, é exibida, decotada e exagerada, adora gastar o dinheiro de um certo senador que convenientemente nunca aparece e, diante de qualquer obstáculo que surge, repete o bordão: ‘ pagando’. Na personagem, é engraçado; na vida real, é execrável.
‘Uma vez conscientes de que a vida é uma experiência baseada nas relações, temos de ter em mente que os desejos das outras pessoas são tão válidos quantos os nossos. Isso significa que, ao perseguir nossos objetivos, precisamos ter certeza de que estamos sendo justos com os outros. O decoro nos ajuda a ajustar essa medida’, diz Piero Forni.”
Republico este artigo como uma espécie de serviço de utilidade pública. Sugeriria que, quem tem interesse em ser um cidadão na verdadeira acepção da palavra e que nunca sequer pensou no que vai escrito acima como foi colocado aqui, que lesse as outras nove regras, tambem importantes, e as praticasse.
Talvez assim, entre outras coisas, possamos um dia andar pela rua, ou dormir tranquilamente em nossas camas, sem que um imbecil coloque um lixo qualquer em seu aparelho de som, em sua casa ou em seu carro, invadindo a nossa residência, enchendo o nosso espaço sonoro e a nossa paciência.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ainda Elucubrações I

Gostaria de me aprofundar no tema do artigo anterior.
Definitivamente, fica claro pelo comportamento de boa parte das pessoas, que moral é uma coisa totalmente sem sentido para elas. Vendo e ouvindo os noticiários televisivos (ainda que saibamos que muito do que é noticiado tem interesses muitos), pode-se ver que o comportamento da grandissíssima maioria dos criminosos, de trombadinhas a políticos corruptos, de furtadores de casas a empresários desonestos, é de quem pouco importa a quem vão ferir ou quem vão lesar.
Não pretendo parecer piegas, nem fanático religioso, ou coisa que o valha, mas uma boa maneira de as pessoas amarem o próximo é se colocarem no lugar das outras pessoas. Creio que não li ou ouvi esta máxima cristã posta desta forma, mas é totalmente lógico que seja assim. Se fosse com eles, será que eles gostariam de ser lesados ou prejudicados ou feridos? Será que, porque seguem determinada linha religiosa ou filosófica, estão imunes a qualquer tipo de punição? Eu conheço muita gente que pensa que sim. Eu, particularmente, creio que não. E tenho explicações muito boas para o porquê de isso ocorrer.